Como montar uma brinquedoteca educativa

Como montar uma brinquedoteca educativa

Quer montar um espaço de brincar e não sabe por onde começar?

Um espaço infantil ideal se preocupa com o aprendizado das crianças, permite a interação entre elas levando em consideração sua autonomia para brincar livre. Além disso, deixa os pais tranquilos ao saber que estão em segurança na área de lazer do prédio, enquanto podem se dedicar ao trabalho; ou mesmo jantar tranquilamente num restaurante kid-friendly, enquanto os filhos se divertem.

A seguir vamos listar os itens mais importantes para criar uma brinquedoteca para as crianças, organizada com brinquedos pedagógicos e que possa permitir esse sossego. Resumimos 9 dicas essenciais para se pensar na hora de criar um espaço kids alinhado com as tendências e preferências das famílias.

 

Quais ideias sobre o “brincar” estão em alta na criação dos filhos?

O Brinquedo faz parte da vida da criança independente do nível social ou cultural a que pertence. Até mesmo ao se alimentar, a criança brinca com os alimentos. Portanto ao proporcionar diversos espaços para a criança brincar e agir dentro do espaço, se estará propondo novos desafios que tornarão a criança um agente da sua própria aprendizagem de forma mais lúdica.

Emmi Pikler , Maria Montessori e a Antroposofia de Rudolf Steiner. São 3 filosofias que estão formando cada vez mais crianças diferenciadas, se comparadas à formação que tivemos na geração anterior. Os resultados positivos mais visíveis na formação desses pequenos indivíduos são:
Maior autoestima, criatividade, empatia, respeito à natureza e as pessoas, maior capacidade de se expressar e se comunicar, liberdade e saúde emocional, espiritual e física.

Foi pensando nesses resultados, que respondemos à questão:

Como criar uma brinquedoteca alinhada com essas tendências?

Um ambiente em que a criança se sinta segura e ao mesmo tempo desafiada. Que ofereça possibilidades de socialização entre crianças de idades diferentes. Que estimule e ao mesmo tempo permita que as crianças se sintam independentes, desenvolvam atividades com autonomia. Onde ela possa experimentar diferentes texturas, cheiros, sons, com elementos naturais, que seja possível estar em contato com o sol, com o vento, com uma planta de verdade! Seja em estabelecimentos ou num espaço de brincar dentro de casa mesmo!

Dica #1: Adaptar brinquedos e móveis de forma organizada e atraente

Quando falamos sobre o quarto montessoriano, nos referimos à filosofia proposta por Maria Montessori que defende que a criança precisa ter autonomia para se desenvolver no seu entorno. Móveis baixos com organização clara: cada brinquedo tem que voltar para o seu lugar, então essa disposição deve ser fácil e intuitiva. E o ambiente bem preparado é fator chave para estimular esse acesso através de objetos do cotidiano. O que já nos leva a segunda dica.

Dica #2: Objetos do cotidiano

É interessante que a criança brinque com tarefas da vida real, criando empatia e socializando através das atividades domésticas como lavar, cozinhar, varrer, organizar. O espaço pode ter, por exemplo, uma cozinha de brinquedo, que possibilita inúmeras brincadeiras com suas comidinhas e panelinhas.

Dica #3: Decorar: menos é mais

O ambiente deve ficar limpo e organizado, convidando a criança a se sentir bem. Um ambiente com muitas cores fortes e muito estímulo visual pode ser cansativo e prejudicar o desenvolvimento das crianças. O entorno agitado e o excesso de estímulos pode levar a irritabilidade, insônia e dificuldade de concentração. A dica é escolher alguns tons claros e harmônicos para a pintura ou papéis de parede simples. A iluminação também não deve ser muito forte e branca. Espaços com luz moderada ou amarelada são mais aconchegantes.

Dica #4: Itens de fácil manutenção

Evite as pelúcias ou acumuladores de sujeira e mofo. Aposte em tecidos impermeáveis para as almofadas e puffs. Sempre que possível, evitar o excesso de brinquedos de plástico e os “descartáveis” que quebram com facilidade e precisam ser trocados. Dê preferência pelos brinquedos de madeira, e móveis que sejam fixos dentro do espaço, e não tenham risco de tombar. Livros reforçados, daqueles que não rasgam facilmente. Brinquedos que não exigem troca de pilhas.

Dica #5: Cantinho do repouso

Além da socialização, é importante que a criança tenha a oportunidade de ficar sozinha, seja brincando só ou descansando. Esses intervalos são extremamente importantes para o bem estar de qualquer indivíduo. Na pedagogia Waldorf, falamos da importância dos ritmos, alternando em momentos de expansão e contração. Vale então apostar no cantinho chill out com puffs, almofadas, ou uma cabaninha, podendo ter uma estante com livros para ler e relaxar. Vale portanto evitar brinquedos barulhentos para não incomodar o cantinho do sossego.

Dica #6: Brinquedos livres e atemporais

Evite os brinquedos da moda, os que segregam por gênero e os personagens que estão em alta no momento. Uma simples capa, por exemplo, pode desabrochar várias brincadeiras e fantasias criativas para meninos e meninas, e é muito mais versátil que a máscara de um super-herói específico. São brinquedos que atendem a diversas idades: blocos de montar, jogos de encaixe, quebra-cabeças, quadros, papel, giz de cera, massinha, bonecas, carrinhos, objetos de casa e utensílios domésticos, que imitem as tarefas do lar: panelinhas, comidinhas, vassourinha, caminha, bercinho, mesinha, e a lista não tem fim.

Dica #7: Segurança acima de tudo

A primeira coisa a se pensar é na idade da criança que a Brinquedoteca vai receber. Dependendo da faixa etária, alguns itens são imprescindíveis para não termos nenhum acidente. Alguns exemplos a seguir:

  • Cantos arredondados, evitar quinas
  • Evitar pequenas peças que possam ser engolidas
  • Mesas e cadeiras que atendam a vários tamanhos
  • Pisos emborrachados e antiderrapantes
  • Evitar tapetes que escorreguem ou obstáculos no piso
  • Almofadas, cortinas, tapetes devem ser antialérgicos e fáceis de limpar
  • Tampas em tomadas, fios expostos, equipamentos eletrônicos não devem estar ao alcance
  • Evitar escadas ou cercar os espaços separando as crianças menores de perigos externos
  • É interessante que o adulto que está fora do espaço tenha visibilidade do que está acontecendo dentro da brinquedoteca, além disso, deixa os pequenos se sentirem seguros.
Dica #8: Tire as crianças da frente da TV !

Não são recomendados itens como televisão, tablet, jogos eletrônicos, videogames, pois dificultam a socialização e prejudicam o desenvolvimento da criança, principalmente as pequenas de até 5 anos. Se existe essa demanda, o ideal é que seja criado um espaço separado, que vá, inclusive, fisicamente destacar o ambiente lúdico e tranquilo das crianças maiores e adolescentes que já possuem outra necessidade de interação.

Dica #9: Estrutura adequada

Se a brinquedoteca vai receber muitas crianças, é preciso que o ambiente seja planejado para tal.
Crianças necessitam de espaço físico para correr, se espalhar, reunir, se isolar; pode ser interessante ter dois ou mais ambientes.
Além disso, deve-se pensar que esses pequenos vão precisar usar um banheiro, e essa estrutura deverá ser próxima e bem preparada proporcionando autonomia e segurança:

  • Banheiros adaptados com privadinha infantil ou assentos redutores, sempre bem higienizados
  • Pia baixa, interruptores, maçaneta, papel higiênico, papel toalha, lixeiras na altura de alcance da criança
  • Fraldário, poltrona de amamentar, duchinha higiênica, etc.

 

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Júlia Dabés, mãe de duas meninas, sócia diretora do Ateliê Materno, desenvolve brinquedos de madeira com o propósito de trazer o livre

www.ateliematerno.com.br

 

Júlia Dabés
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